18 de mai de 2012

Olá pessoal do Trekking!!
Fiquei muito tempo sem nenhuma postagem porém, volto com algumas novidades para os companheiros praticantes. Aos poucos, novas postagens no Blog com algumas matérias interessantes.
Acabei de concluir um curso de BUSHCRAFT, que consiste em sobreviver em ambientes hostis com o mínimo material a sua disposição. Na verdade, seria uma espécie de sobrevivência na selva com um pouco mais de recursos a sua disposição.
Venho com várias dicas que podem ser muito úteis, mesmo para quem pratica o Trekking convencional e não tem a intenção de ir para a selva sem equipamento mas, sabemos que mesmo em uma trilha. vários contra tempos podem ocorrer e, várias das técnicas que aprendi (e em breve irei repassá-las aqui), podem nos ajudar muito.
No mais, um forte abraço a todos e Boas trilhas!

1 de ago de 2011

TRAVESSIA PETRÔ x TERÊ

Ok, fizemos novamente a travessia que sai do bairro do Bonfim (Petrópolis) e segue por cima das montanhas até a "Barragem" na sede alta do Parque Nacional em Teresópolis, entre os dias 15, 16  e 17 de julho de 2011.
A trilha, comumente chamada de PÊTERÊ ou PETRÔ x TERÊ é classicamente feita em 03 (Três) dias:
1º dia: da portaria do Parque no Bonfim até os Castelos do Açú;
2º dia: dos Castelos do Açú até o Abrigo 4 na Pedra do Sino;
3º dia: da Pedra do Sino até a Barragem na sede alta do Parque em Teresópolis.

1º DIA



Começamos às 8 horas. 
A trilha começa arborizada e não há como se perder. 
Está bem demarcada e bem sinalizada nas duas únicas bifurcações ainda no começo. 












A trilha segue subindo o tempo todo e é bem cansativa. A maioria dos relatos conta que, em aproximadamente 40 min a 1 hora chega-se ao queijo, local da 1ª parada. Mas não é bem assim. Dependendo do condicionamento físico ou o tamanho do grupo, leva-se mais tempo. Chegamos ao queijo após  2:30 min de trilha.


Subimos com as cargueiras pesadas e sem pressa, parando para fotos e admirar a paisagem.
A partir do Queijo o próximo ponto de parada obrigatória é o AJAX, último local para se colher água de qualidade até o Açú.  


Este, é o local para se ingerir alimentos calóricos e repor as energias pois logo começa a subida conhecida como ISABELOUCA. Segundo se conta, este era o local em que a Princesa Isabel subia em lombo de mulas para caçar Antas, feito que jamais se realizou e, no alto, os escravos ficavam rindo dos tiros que nunca acertavam o animal. Daí o nome. E não se enganem, é uma subida MUITO íngreme e cansativa com terreno pedregoso e cheio de pedras soltas.
 


Gasta-se MUITA energia para se chegar no cume. Lá chegando, vale pela vista do Vale do Bonfim.


Caminhando mais uns 30 min e já avistamos o Cruzeiro e pouco mais, os Castelos do Açú!

Visto a uma certa distância, lembra um peixe grande deitado sobre o cume deste morro. Este, é o ponto mais alto da Serra dos Órgãos na parte de Petrópolis e nosso ponto para o 1º pernoite, onde encaramos a temperatura de -1ºC na madrugada. 

 



Sorte nossa, pois na semana anterior (segundo o Guarda Parque), os termômetros haviam marcado -6ºC.























2º DIA

Começamos a 2ª parte por volta das 9:30 horas (saímos tarde!) em direção ao Morro do Marco. 





A trilha começa bem em frente ao Abrigo e segue reta até um "cabeço" de morro em descida bem vertical. Descemos fazendo ziguezague. 

 Há vários marcos de pedra chamados Tótens que servem como auxílio para demarcar a trilha. O problema é que existem vários destes Tótens que estão errados. Só utilize em último caso!
As subidas são sempre muito íngremes e cansativas, por isso, se faz tão necessário os bastões de trekking para se poupar o joelho!
Após a subida do Morro do Marco existe uma crista rochosa onde é indicado uma pequena parada para reidratar e continuar a trilha. Neste momento, já se avista a Pedra do Sino. 















Se seguirmos à direita, vamos em direção a Coroa do Frade e Portais de Hércules. É lindo mas não há saída. Não há muito tempo a perder!
Descemos e cortamos outro vale e agora outra subida para o Morro da Luva. É muito íngreme também e há um ponto de água muito limpa. A trilha é fechada e com muitas árvores e por isso, o terreno é lamacento e escorregadio. Cuidado. 
No topo da Luva, descemos pela direita evitando a descida a esquerda pelo rio que, além de escorregadio não leva a trilha correta. 
















Logo após, caminha-se pelo Morro do Dinossauro, uma grande laje de pedra e com uma vista maravilhosa dos Portais de Hércules.

Ao final do vale, há uma pequena ponte (cuidado pois a trilha contorna uma grande pedra a esquerda) pois se seguir reto, podemos cair em um buraco. mais a frente começa o Elevador.


São vergalhões em forma de escada cravados na pedra em uma encosta. São três lances desta "escada" que somados, chega-se a uns 30 ou 35 metros. Cuidado pois desta vez, haviam 3 vergalhões soltos. Prenda a mochila e amarre bem os bastões e vá em frente!
Após, subimos outra encosta de pedra e mais a frente o Vale das Antas. 

A trilha começa pela esquerda deste morro. NÃO SIGA OS TÓTENS PELA DIREITA!!!! Vá para a esquerda e desça uma lage de pedra. Já embaixo, a trilha segue por entre o mato que estava bem alto até o rio do Vale das antas. Pare, reabasteça e se prepare para outra subida forte!
A trilha começa após saltar o rio e começa a subir ziguezagueando até o cume deste morro. Neste momento a trilha está pouco batida e em certos momentos, nem há trilha. Somente quem conhece consegue encontrar o caminho correto. 
No cume deste pequeno morro a trilha abre e sobe-se ao Dorso da Baleia e continua subindo outra encosta. 


No cume, temos a visão da Pedra do Sino bem na nossa frente e o Vale dos & ecos. Vale dar um grito e ouvi-lo ressoar por 7 vezes!

Nesta hora, contorna-se a esquerda e começa uma descida. Não a conselho fazer esta descida na mão (muita gente faz assim). Usamos uma corda e fizemos "papel de coxa". São uns 30 metros de descida vertical!
Neste momento, mais uma subida pequena mas bastante forte até o Cavalinho.

Outro momento em que usamos a corda. Dá para fazer o Cavalinho sem segurança mas, como tínhamos a corda, subimos as cargueiras com a corda e depois começamos a subida. Não é nenhum absurdo mas requer atenção pois a sua esquerda, há um abismo! Uma queda, será fatal.
Neste momento, só passa uma pessoa por vez e leva tempo. Se vc não tiver sorte e pegar um grupo grande a frente.... só resta esperar.
Já eram 17:30 horas e o sol estava começando a se esconder. Nossa preocupação era vencer o Cavalinho ainda com o tempo claro.
Após só falta vencer uma escada de metal (uns dizem que foi Endre de Gyalokay quem instalou e outros dizem que foram funcionários do IBAMA) e seguir a trilha que sobe um pouco mais e contorna a base da Pedra do Sino. Mais uns 30 minutos e estamos no Abrigo 4. A partir daquela escada, utilizamos as lanternas de cabeça pois escurece muito rápido. 
Vencemos a parte mais difícil e perigosa da trilha!
Agora, um belo rango e uma noite de sono!


3º DIA

 Nosso dia começou às 5:30 (ainda escuro) e com o objetivo de subir a Pedra do Sino para nos maravilharmos com o nascer do sol que, no topo da Serra dos Órgãos, é lindo!!!
Reunimos todo o grupo para as fotos e logo após, preparamos o café da manhã, arrumamos as cargueiras e começamos a descida.

São 11 Km de descida fácil e sem muitos percalços. 

A trilha está bem cuidade e bem demarcada. Existem dois pontos de água porém, não aconselho utiliza água do Véu da noiva. 

Prefira a cachoeira do Bambú que fica poucos metros acima do véu da Noiva.
Chegamos a Barragem 14:30 horas. Cansados... exaustos... mas felizes por termos não somente completado esta missão e sim, por tê-la completado sem nenhum acidente!

A travessia mais cansativa e mais clássica do Brasil !!

DICAS:

- Faça esta trilha durante o inverno. Apesar do frio, é a época mais seca e diminui o risco de chuvas e temporais, muito comuns no verão
- Sempre que for utilizar água de rios e córregos, utilize sempre um purificador. Optei pelo CLORIN 1
-Agasalhe-se bastante, as noites são frias
- Utilize a 2ª pele. Se mostrou eficaz
-Faça reserva via Internet e garanta a vaga. Só é permitida a entrada de 100 pessoas pelo Bonfim
-Se for utilizar o abrigo, evite a água do Abrigo do Açú. Mesmo com o purificador. Há uma nascente 10 metros após o abrigo com água pura
-Não deixe de levar um bom equipamento. Os bastões salvam os joelhos e o correto uso de um calçado, salva seus pés
-Só leve alimentação que for usar. Abuse de proteina em gel, principalmente no 2º dia


Tomando os cuidados básicos e utilizando alguém que REALMENTE conheça a trilha, relaxe e aproveite uma das mais belas e clássicas trilhas do Brasil.

Grande abraço e boas trilhas !!